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Fonte: Sputnik Brasil | Imagem: Wikimedia Commons | Link Notícia

07/12/2018

Pastora anti-aborto assume Ministério de Mulheres e Direitos Humanos de Bolsonaro

A advogada e pastora evangélica Damares Alves foi confirmada nesta quinta-feira para o comando do Ministério de Mulheres e Direitos Humanos do governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Informações compartilhadas Sputnik Brasil

O anúncio foi feito pelo futuro ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

Assessora do senador Magno Malta (PR-ES) desde 2015, Damares indicou, em entrevista coletiva concedida em Brasília, quais serão algumas de suas prioridades tão logo o governo Bolsonaro tenha início. Ela prometeu dar ênfase à infância e às políticas em favor das mulheres.

"Nunca a infância foi tão atingida como nos dias de hoje. Nós vamos propor um pacto pela infância […] A infância vai ser prioridade nesse governo", declarou a pastora, que vinha sendo cogitada para a pasta há alguns dias, em detrimento de Malta, que ficou de fora do governo Bolsonaro.

"Nenhum homem vai ganhar mais do que mulher nessa nação desenvolvendo a mesma função. Isso já é lei", acrescentou a pastora, que prometeu lutar pelo fim das desigualdades salariais entre homens e mulheres no país – tema este que rendeu dores de cabeça para Bolsonaro ao longo da campanha eleitoral.

Segundo a futura ministra, o seu grande legado será tornar o Brasil "a melhor nação do mundo para se nascer menina". Damares ainda destacou que vai trabalhar junto aos movimentos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), em busca de "paz" com grupos conservadores

Na mesma coletiva, Onyx informou que a Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão responsável pelos indígenas brasileiros, ficará vinculado ao Ministério de Mulheres e Direitos Humanos, pondo fim a uma polêmica sobre os rumos da entidade antes ligada ao Ministério da Justiça.

"Demarcação de área é um tema delicado, um tema polêmico […] Esse novo governo vem com novas propostas", pontuou Damares, garantindo que o debate será uma constante quando o assunto envolver a demarcação de terras indígenas, aspecto que Bolsonaro foi duro e prometeu não permitir no seu governo.

"A Funai não é problema nesse governo. Índio não é problema. O presidente só estava o melhor lugar para colocar a Funai e entendemos que é Direitos Humanos porque índio é gente", complementou.

Dos 22 ministérios previstos por Bolsonaro, segue em aberto apenas o posto de ministro do Meio Ambiente. Damares é a segunda mulher do alto escalão do presidente eleito, ao lado da deputada Teresa Cristina, que vai comandar o Ministério da Agricultura.

'A mulher tem estado muito fora de casa'

Antes de sua oficialização para o cargo, a nova ministra de Bolsonaro viu ganharem corpo algumas declarações que deu no passado sobre temas que estarão na sua alçada a partir de 2019, como família e aborto.

A possibilidade de flexibilização das políticas de aborto no Brasil é rechaçada pela pastora.

"O maior e o 1º direito a ser prioridade é o direito da vida […] sou contra o aborto. Acho que nenhuma mulher quer abortar. As mulheres chegam ao aborto porque possivelmente não foi lhes dada outra opção […] Essa pasta não vai lidar com o tema ‘aborto’. Essa pasta vai lidar com vida e não morte", comentou.

Mais cedo, em 8 de março deste ano, durante comemoração do Dia Internacional da Mulher, a pastora explicou qual é a sua concepção de família, afirmando que as mulheres nasceram para ser mães e que o modelo ideal de sociedade as deixaria apenas em casa, sustentadas pelos homens.

"Me preocupo com a ausência da mulher de casa. Hoje, a mulher tem estado muito fora de casa. Costumo brincar como eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, e meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de joias e presentes. Esse seria o padrão ideal da sociedade. Mas, não é possível. Temos que ir para o mercado de trabalho", disse ela ao apresentador Jaufran Siqueira, em vídeodisponível na internet.

Damares também criticou o movimento feminista, que seria o responsável pelo que ela descreveu como uma "guerra entre pessoas do sexo feminino e masculino".

"O que a gente tem visto hoje são as próprias feministas dizendo que não é possível. O que a gente tem visto hoje são elas levantando uma guerra", ponderou, antes de dizer que a maternidade é a real vocação das mulheres.

"A mulher nasceu para ser mãe. Também, mas ser mãe é o papel mais especial da mulher. A gente precisa entender que a relação dela com o filho é uma relação muito especial. E a mulher tem que estar presente. A minha preocupação é: dá para gente ter carreira, brilhar, competir, consertar as bobagens feitas pelos homens. Sem nenhuma guerra, mas a gente conserta algumas. Dá para gente ser mãe, mulher e ainda seguir o padrão cristão que foi instituído para as nossas vidas", concluiu.



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